terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Monnalise

Destes dias e seus acasos
De nós tão pouco restará:
Como é que vamos explicar
Quem éramos aos que virão?

Mas entre tantos pesares
Alguma alegria nos iguala:
Disfarça a falta que nos faz
O que já nos pôde acontecer;

E de quem olha pra você,
Do que você queria ouvir
Talvez agora possa lhe falar,
Ou seja mesmo o teu reflexo;

Será que vamos conseguir
Sem passar a vida a limpo,
Sem tentar só uma vez mais?

Qual é o gosto da esperança
Nessa beleza cada vez mais rara?

Qual é o segredo escondido?
E esse sorriso em minha direção?

Então espera, não resista:
Aceito teu desejo manifesto
Traz com ele as tuas verdades,
E tão nova a cor da tolerância;

E o futuro que nos venha
Ao coração então empenhe
Um velho costume de ser feliz
Justo com o pouco que se têm;

sábado, 22 de novembro de 2008

Todas As Manhãs Do Mundo

E se você dormisse,
E se teu sono revelasse:
O cansaço de teus lábios,
Quem chega indo embora?

E que você sentisse
Tanta falta e acordasse:
E fosse como outras vezes,
Que fica difícil de respirar?

Será que vai acontecer
Quando tudo nos levar
Além-mar em novos sonhos?

E quando tudo aportar
Na ilha de um amor-perfeito?

E você sempre a pedir
Quase o mesmo até o fim,
Ainda não consegue ver:

Perder a vida num segundo
É o alto preço pra quem ama;

É a verdade que se entrega
Nas mãos de quem se devora;

Acenda todas as luzes,
Não há nada errado aqui:
De tão fácil é complicado
Que a gente nunca aprende;

Já não podemos parar
E nada vale uma traição:
Às vezes não se pode evitar
Um certo ar de quem desiste;

domingo, 9 de novembro de 2008

Elegia

Acho que era o não saber:
Eu quis ser senhor de mim
E me perdi em idéias e ideais,
Ou por qualquer meia ilusão;

E se não era por merecer,
Eu tentarei me acostumar:
Pois se o acaso nos assombra,
O que é que poderia ser pior?

De meus amigos e amores
Me sobrou a lei mais forte:
O tempo não anda para trás
Quando tudo o mais mudou;

E aquele garoto do retrato
Agora tem uma outra chance:
É uma nova vida já tão velha;

Mas o que é feito de você?
Do que é que você foi feita?
O que fez com o que de ti fizeram?

Eu não esperava me importar,
Mas não aprendi como se esquece:
Será que vai ser assim - pra sempre?

Acho que ainda é um querer:
Eu quis ver e reter você aqui,
Eu me sinto cansado de mentir
Pra que me achem sempre bem;

Mas então venha o que vier,
Há tantos vazios a preencher;
Boas e más pessoas no caminho:
Poucos sabem do que nos falam;

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Beatriz

Se não há nada ao redor
É que algo já não vai bem:
Veja o que de mim sobrou,
O que sou em tua memória:

Sou um homem comum
Vivendo um dia incomum,
Seguindo lento na multidão
Que não vê flores no asfalto;

E através da rua principal
Eu leio os anúncios de neon:
Em nenhum o que buscava,
Como um Dante no inferno;

Quem é teu guia?
Sempre adiante - o que te leva?
Os que despertam são amores:

Que vêm e vão e nos socorrem,
Que vêm e vão e nos condenam;

Aqui no meu esconderijo
Da porta a chave se perdeu,
E ela lá fora ainda em espera
Como quem diz - queria viver

Sei...Estou meio atrasado,
Aperto os passos no escuro:
Aceso o fogo-fátuo da paixão
Do que sinto não verei objeção;

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Man On The Moon

Qual era o nome da cidade,
Quantos eram os teus amigos?
Olho o relógio, é sempre tempo,
Mas à vezes é um lapso de solidão;

E numa bela tarde de Abril
Chegou o Outono e a tua vida,
Sem adeus, seguiu em seu cortejo,
E por aqui ficou tudo como antes;

É só depois de tudo pronto
Que se tem certeza do que se trata,
Que se salta o abismo do não falar;

Eu vivo agora o que é o meu presente,
Mas guardo em mim o que sempre fui
A respeito do que você costumava ser;

Você com sua ânsia de viver
Chegou até onde podia chegar,
Não me pergunte ou se decepcione
Do por que das coisas serem assim;

Você foi alguém pra outro alguém,
E do fascínio teve fruto teu desejo,
E não importa se por alguns segundos
Ou pouco menos do que muitos anos;

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Quadrinhos

Quem vai dizer do que passou,
Diversão como em livros e jornais
Que vão revisitar nossa história:
Quem chega olha tudo que existiu;

Às vezes é o nada, só inspiração,
E quantas pessoas por ti pintaram,
No fino traço, toda sensibilidade,
Que faz de nós tudo o que somos?

Estamos sempre tão apressados,
Já não voltamos páginas viradas,
E parece que assim sempre será
Um sonho dentro de outro sonho;

Mas você acordará antes de todos,
Num dia nublado e um tanto frio,
Só pra descobrir tudo tão normal;

É sempre assim, minha menina,
Eu diria que te amo, é bem verdade,
Mas nos perdemos em mil silêncios;

Então fique...Fique um pouco mais:
É preciso voar longe no mesmo lugar;

Talvez não existam mais heróis,
E se não há mais motivos pra lutar
Quem só esperava o não morrer,
Vê teus braços num gesto impreciso;

É de nossas vidas que eu tenho
Orgulho e lembranças pra contar:
O que valeu vem no teu interior
Criar o amor que vai te perseguir;

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Letter For A Girl

Querer estar acima de tudo
Já não tem sentido porque
Quando as luzes se apagam
Se torna igual toda a escuridão;

E você pode até nem notar
Que um dia tudo se desfaz:
Porque as coisas vêm e vão
Sempre atrás de uma perfeição;

E enquanto isso, viveremos:
Eu já não penso em fracassos,
Eu quero apenas um segundo
Pra te mostrar de novo o mundo;

Eu quero apenas te entregar
A tua força, a tua face mais fiel,
O teu mais belo sonho colorido;

Será que é difícil pra você aceitar
Que quando se descobre amar alguém,
Mesmo que não se possa manter
Ainda assim, sempre se lhe têm amor?

Quem depois de tantas infâncias
De si não é capaz de achar graça,
Ficará nas sombras da insegurança,
À mercê dos dias, nas teias do tempo;

E o mesmo intento se perceberá:
Todos buscam por sua liberdade;
Mas de que adianta estarem livres
Se passam as horas matando tempo?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ambos Mundos

Esquece, pra que explicações?
O temor ao que se desconhece
É o que a todos não tem sentido:
É só o fim do começo da história;

E do que se fez se traz o bem,
Pra não mais fugir da realidade:
Você precisa é de amor próprio
Assim como eu preciso renascer;

Pois um dia, sei que vamos ter
Um dia perfeito e sem disfarces,
O rumo certo, sem tolas soluções,
E na boca seca os lábios saciados;

Estar por perto já me faz feliz,
Mas hoje sou eu quem vai partir:
É hora de recolhermos os dados;

Será que havia um outro jeito?
Será que nos dirão “vão em paz”?
E que tudo não passou de ficção?

Mas não...
Passamos longe do lugar comum
E lá estava o que mais ninguém viu:

Dois estranhos numa terra estranha;
Anjos descuidados com uma missão;

Cada passo pra nós foi o bastante:
Nossa solidão então se desprendia
Feito cinzas que ardem sob o vento,
Como areia vazando entre os dedos;

Mas do que se fez se extrai o mal
Pra que nos sirva como uma lição:
O teu maior desejo ainda realizarás
Da mesma forma que não esquecerei;

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Lost

De tudo o que nos aconteceu,
Não foi acaso e nem acidente:
Estes dias e noites consumidos
E ninguém nos pediu a conta;

Eu quis fazer um pouco mais,
Mas não era hora, e agora sei:
E daqui até onde você chegar
Eu só espero te saber segura;

E não vou mais me entristecer
Só pra então deixar assim ficar:
Clarear essa luz já quase morta;

Você quis levar tudo na saudade
Como quem precisa de desculpas:
Mas o que te importa na verdade?

Você teve o mundo aos seus pés:
E quem se importou de verdade?

Um dia a mais é só um dia a menos
E o teu desejo não segue conselhos;
Agora a tua alma não vê os perigos:
Nos poupa a sorte não ver inimigos;

Diga que sim, ainda que sintas tarde:
Vai acabar bem o que mal começou;
Pois é preciso se ter muito mais valor
Pra chorar, amar, do que jamais tentar;

domingo, 7 de setembro de 2008

Angeline

E já não podemos mais parar:
Por que esperam algo de mim
- Se não há lírios sobre a neve -
E andamos sempre tão sozinhos?

Está frio aqui, você não sente?
O erro visto nas horas recentes
- Vestígios de uma velha era -
A nos assustar por quase nada?

E em cada manhã do mundo,
Esperamos que essa vida curta
- Outra de nossas vidas tantas -
Nos leve pra um melhor lugar;

E nos negue qualquer tristeza
- Que não passe de má sorte -
Não se ter mais nada para dar;

E perto demais nós somos distantes,
E pra onde vai essa independência?
Pra onde vai nosso nômade coração?

Qual é a tua idade, qual é o meu dever,
O que dizer, o que nos resta pra fazer,
Se nem todos fazem juntos tal viagem?

E o que é estar do lado errado
Pra quem quer julgar tua decisão?
- Deixe pra lá o que não presta -
Quando nada impedir a tua volta;

E se não há nada, nem ninguém:
Saia de dentro dos teus devaneios
- Que não mentem ser só tua -
A falta de bom senso e coragem;

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ladrões De Tempo

De tudo que se conheceu,
Agora vês toda diferença,
As coisas boas são tão breves:
É só o fim da sua infância,
Mas você nunca tem certeza;

E o que ficou de tudo isso
Nós esquecemos de lembrar:
Que não pode ser segredo
Então ser feliz do nosso jeito;

Esqueça o medo teu amor;
Ainda que pareça improvável
O hoje repete a sina dos mortais:

Maquiado no rosto das pessoas
Há um sonho que se fez fugido;

E dentro dos olhos das pessoas
Há uma vida que se quer eterna;

De tudo aquilo que se leva
Pra o que não se pôde ter
Venha ser só um dia perdido:
Pra que toda nossa alegria
Não seja apenas verdade falsa;

E se nada mais aconteceu:
Guarde o coração todo o valor
De nossas almas impedidas;
De nossos beijos incompletos;

sábado, 23 de agosto de 2008

Serenade Avennue

A chuva quer ir embora
E nos espelhos d’água
O amanhã já começou:
Sentado à beira do caminho,
As pessoas passam apressadas;

E eu guardo memórias
Sem nenhuma lucidez,
Que incendeiam minha vida:
Amores em curtas-metragem;

O que fizemos pra ser assim,
E qual será o próximo passo,
Quem será a próxima vítima?

Mas você e seu sorriso franco,
Seus cabelos negros ao vento,
O que busca que não tem em si?
Será que pensa que não existiu?

E a cidade ficou abandonada,
Já não somos quem se diverte
Por estas ruas nas madrugadas:
Hoje esquinas separam mundos;

E pra ti há uma nova intenção
E pra mim só a mesma ilusão;
Se aqui ficam os versos tristes,
Pra ti ficarão palavras sem juízo?

domingo, 10 de agosto de 2008

Polaróides

Andando em círculos

Somos partes de um todo,
Todos com suas verdades,
E cada um com sua solidão;

E quem não quer amar
Pode querer viver de amor?
O quanto se pode suportar
O susto de um olhar negado?

E em todo novo dia
Eu teria um mundo pra você;
E mesmo sem poder,
Você traria o mundo até mim?

E ao meu lado sorriem
Os anjos que nos cuidam:
Mas tudo bem - não faz mal,
Se ficarmos bem - não é real?

Há sempre tantas coisas a fazer
Que a presença em nossas vidas
Passa a ser apenas uma ausência:
Mas o melhor de nós é tão novo;

Segue adiante um velho coração,
Rezando que você possa acolher:
Que eu até possa já não merecer,
Mas acredite - estarei precisando

domingo, 3 de agosto de 2008

Little Kate

E depois do fim dos dias
Aqui do outro lado do sol
Boas novas nos chegam de lá,
E nos trazem sonoras alegrias,
Qual profecia enfim cumprida;

Do que foi feito ficou o bem,
E da falta só levamos embora
Incertos, inquietos, momentos:
Os pequenos pecados sinceros;

É a vida - e a vida sempre vence
Amar, viver, morrer é um pacto:
É sempre a vida que nos escolhe;

E ao fim nós estaremos prontos;
Ao chegarmos perto - e descobrir
O futuro é maior que o presente;

E ao lembrar longe a despedida
Ver que o adeus não virá jamais;

Então ausentes por tempo demais,
Distantes de onde queríamos estar:
Acho que era mesmo por nós dois,
Aqui chegamos - não tem mais volta

Esqueça tudo que você pensa saber,
Pois pode ser que tudo se faça inútil:
O que é mais preciso do que tomar
À força da vontade, toda felicidade?

E enquanto o relógio corre a não parar,
Afortunados são os minutos de espera:
É assim que tudo começará...Outra vez;

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Tempestade E Ímpeto

Acorda:
Você mudou,
Mas espera que eu
Fique sempre igual;

Escuta:
Do que partiu,
Os abraços partidos
Não estão mais aqui;

Acorda:
Ninguém errou,
Que todas as coisas
São desejos e ilusões;

Escuta:
De quem te viu,
Os dias entrelaçados
Serão para sempre;

E já é tempo
De uma nova ordem
Trazer alívio a esta dor;

E deve ser
Tão intensa que fará
Das trapaças, esperanças;

O coração que se quer livre
Vive, corre, mesmo indefeso,
Contra sermões, deuses e ateus;

Vai ver que isso é que é amor:
E será que faz sentido pra você?

sábado, 21 de junho de 2008

Vozes

Como é ter os pés no vazio,
O que é que te tira do sério?
O que fez a tua consciência
Ser tão surda a tantos gritos?

Um brilho estranho ao olhar,
Quer pro nada, pra ninguém,
Traz à tona o que é capricho:
O ter além do que não se quer;

Quase nada, qualquer alguém,
Em cima de uma corda bamba,
É como gelo posto pra derreter;

Certas coisas que nos perdem
Às vezes são idéias que se calam:
Apareça - que hoje eu vou estar
Um pouco mais quieto e te ouvir;

E por vezes são desejos intactos:
Então espera - não demora
E esse silêncio vai se consumir;

sábado, 14 de junho de 2008

Marianne

Vem, venha mais perto
,
Aqui não tem ninguém;
Vem mostrar se de fato
Você guarda um encanto;

E que a gente ainda usa
As mesmas velhas roupas,
Pra abrigar imensos atos,
E sorrir sem fazer de conta;

Vem, o que nos toma são
Ecos de uma vida passada,
Que amarram fortes laços,
Que de novo nos abraçam;

E se teu corpo nos acolher
Ficará a solidão extraviada,
E das mágoas se fará conforto
Pra exaltar a nossa redenção;

Não vá embora:
Aonde você quer chegar?
Não peça as horas:
Que amar não te atrasará;

Quando se perde o controle
É tão fácil ser outro alguém,
Mas não faça disso um vício
Pra ter em alta conta tal poder;

E de ouvir mal ditas palavras

O nosso barco à vela espera
Que hoje a maré seja a favor,
E que nos leve pra outro lugar;

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Amores Distantes

E até onde você deveria ir,
Fazendo marcas no asfalto
Com as pessoas agora presas
Em belas, velhas, fotografias?

Quantas coisas por merecer,
Voar mais alto que o chão:
E desse jeito, quase sempre,
Ninguém consegue nos achar;

É o que da vida se cumpriu
Pra tornar calmo o descuido,
Como num fim de tempestade;

Mas se você percebeu antes,
Não se incomode - eu entendo
Não pare pra ouvir de alguém:

Não quero ver você longe daqui,
Eu não queria ser você sem mim;

Este é o agora de nossas vidas,
Pra de novo termos e sermos
O que dela nós já perdemos;
Pra de novo sermos e termos
O que ela de nós ainda espera;

E como leste no livro que te dei,
Somos feitos de barro e coração:
Basta apenas que exista um sonho
E a vontade de dar asas ao sonho;

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Sonata De Agosto

Era tão nosso
O que se foi:
Está sem atenção
O que era especial;

E será que vai
Valer a pena,
Se muitas vezes,
Barcos ficam à deriva?

E dia após dia
É sempre igual:
Nada muda por aqui;

Você até tentou
Mas não conseguiu:
Eu ainda lembro de você;

Então o que nos resta
É a falta do que nos consome;

Algo assim tão raro,
Como espelhos sem imagens;

Eu não vi você partir
Nem pra onde você foi,
E se era pra ser, venham
As cores e dores do amar;

E que entre elas tenha
Uma tarde ensolarada,
Que sempre te aqueça
Assim que o frio te visitar;

Eu quero que você saiba:
Eu sempre olharei por ti,
Eu sempre olharei para ti;

terça-feira, 3 de junho de 2008

Labirintos Urbanos

A porta aberta,
Tinha mesmo que ser assim?
Os lábios mudos,
Eu não sabia que eram meus;

Qual é a prece
De quem te leva pelas mãos?
Olhe pros lados,
A lua dorme pro sol nascer;

E o mais difícil
É o ser feliz quando se quer,
O que há de errado,
Se não há mais nada a fazer?

E pode ser:
Que a desordem dos teus beijos
Traia a honra e o sentido;

Não importa:
Que o vestígio dos teus passos,
Eu não siga tão de perto:

A tua pele, o teu suor, a tua alma,
São minha sombra neste deserto;

Ainda há tempo,
E com você o que é que virá?
Eu ouço boatos
De que os anos te cansaram;

E um recomeço
É um teu anseio não chorar;
Não pare agora
Que grama cresce sob pedras;


sexta-feira, 30 de maio de 2008

O Sétimo Selo

Há tantas almas por salvar,
Há tanta fome de viver:
Se é pra ter o que não preciso,
Aonde vai a minha estrada,
Até onde vai meu egoísmo?

Você não é mais deste lugar
Mas eu ainda gosto disso:
De te ver sentar perto do fogo
Pra jogar xadrez com a sorte,
Pra fugir da dança da morte;

Mas o que irá nos purificar,
Dos tais pecados do querer:
Será a força do que está escrito,
Será então a farsa por si mesma?

E quais juízes nós vamos ter:
A nobreza de uma nova crença,
A loucura de qualquer proeza?

Andando entre ambos mundos,
O que há de errado na tua voz?
Se não basta, mais uma palavra:
Acha mesmo que está acabado?

Por quantas vezes você flertou
Com coisas simples e a ilusão
De quem te disse ser a verdade
Tudo o que não compreendias?

E quantas vezes você duvidou,
E sem saber seguia em frente:
Sem saber por que acreditava ,
Sentia longo o caminho de volta;



quinta-feira, 29 de maio de 2008

O Ser E O Nada

A vida quase sempre desmente
O que mais se quer acreditar,
Mas nada disso importa no fim:
Na guerra, há paz pra se vencer;

A pressa é pouco pra se entregar
Ao que além de ti alguém verá,
E o que te faz feliz também trará
As flores do bem e o ter razão;

Mas mesmo assim, junto a mim,
O apelo de uma chance tardia,
De se ter uma nova imperfeição
Com o sorriso em teu olhar;

Já que você não pôde ir embora
E como crianças a gente chora,
Reze por respeito e pelo desejo
De ser leal e não crer defeitos;

Às vezes é de amor e de sombras
A felicidade impensada de um tolo,
Mas quem pode dizer o que é certo:

Quem é que vai nos dar as armas,
Quem é que vai nos dar proteção,
Será que ainda vamos ver fascinação?

Estamos às voltas com tantas faltas,
Ideologias, em um planeta em caos:
O tédio e o pavor em cada esquina,
Dias que parecem ter horas a mais;

E há poucos nomes pra você chamar
Ao voltar à praia do que era o teu mar:
Mas mesmo que você ainda demore,
Sempre terá o dia depois de amanhã;

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Tardes Em Viena

E mais uma vez no teu
coração
Aquele sonho em cores abstratas,
Imagens moldadas pelo tempo,
Que nem mesmo ele pode apagar;

Mas se tudo parece fora de ordem,
Um dia você vai parar pra pensar:
A vida, a morte, têm a mesma face
Nos dois lados das nossas moedas;

E você julga que já está decidida,
E não faz justiça se não for vivido;
Eu não sei por que prefere esperar
Que o acaso tome conta do destino;

E de cada estranho que te encontrar
Vai ouvir a mesma história e saber:
Se o amor não tem medo de errar
Quem é você pra tão cedo se perder?

A vida nos entrega e não lamenta,
E o tempo segue sem envelhecer:
Aos dias de ontem, talvez um adeus,
Aos dias de amanhã uma saudação;

Os anos podem consumir a magia
De que são feitos os nossos sonhos,
Mas do sopro sussurrado de um anjo
Saem os compassos de uma nova valsa;

As luzes se acendem na velha cidade,
Nos Cafés vidas alheias passam por ti:
Pra onde é que você vai depois daqui?

terça-feira, 27 de maio de 2008

Joan Of Arc

Não há a quem culpar:
Ninguém pode escapar
Da luta, a fé e o prazer;
Das chamas que ardem,
Sob o signo dos enganos;

Somos mesmo ciganos,
Sempre longe de tudo,
Mas tudo ainda é igual:
Como as gotas de chuva
Nuas nas ruas do mundo;

Mas tudo é sempre igual:
Quem resiste à tua falta,
À tua fala, ao tolo perdão?

Palavras vazias e todos os dias,
Você me fez quase entender
Que viver é sofrer e ver alegria;

Às vezes andar entre loucos
Que nos clamam a verdade
É como estar quase curado,
Lado a lado, no mesmo passo;

E tão bom poder suportar
Se ninguém sabe o que fazer,
Se ninguém sabe o que temer:
Pagar o preço, juntar os pedaços;


quinta-feira, 22 de maio de 2008

Justine

Você foi mais longe e então
Mudou pra não viver em vão,
Mas olhe bem pro que restou
Será que eu vou ter que gritar:

A ninguém cabe tua liberdade,
E o caminho parece o infinito,
O que reclamam tuas memórias
- Saudades do que ficou pra trás? -

Não é inveja, mas o que sinto:
São lembranças que eu tenho
Ou apenas minha imaginação?

Vem me ensinar como é fingir
Ter deixado marcas sem sentir,
Me diz - qual é mesmo a diferença?

A tua casa tem paredes rumo ao céu,
Tuas janelas reluzem vidros de cristal,
Mas teu olhar e teu sorriso sem igual,
Deste lado da rua, parecem com você;

E se você pudesse, tentaria outra vez?
Juntaria as folhas que caem pelo chão
Num mosaico feito de carinho e amor:
Um presente feito pra jamais esquecer?