Quem sou eu

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João Luis Carvalho
Guaíba, RS, Brazil
...mosaico de pensamentos e algumas palavras roubadas...
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sábado, 21 de novembro de 2009



Cidade Nua

Não posso explicar
De onde vem a causa
Pois o hoje é diferente,
Nada leio em teu inglês;

Palavras dissonantes,
Pés descalços e atrasos,
Me preocupei por você
Que procura boa comida:

Que à alma alimente
Uma espécie de carinho
Sem descrença ou incapaz;

E era eu - foi bom
E amanhã - quem de nós
Será?

Será que vamos sumir
- Obrigado por tudo -
Depois que a chuva passar?

Vem, senta aqui,
Olha pra esta calmaria:
Estava mesmo a seu dispor
Mesmo muito antes de você;

E antes de mim chegou
Quem deu o que podia dar:
Assim como quem nada quer;

sexta-feira, 13 de novembro de 2009



In Versus

Muito bem,
Fomos alto então:
E não mais me achei,
Mais um dia sem mim;

E pra você
Algo qualquer assim:
Do outro lado da noite
Nada além da escuridão;

Vou conseguir escapar
Do esperar a tua resposta?
Vou corrigir a minha sombra:

Metade não quer ir embora,
Metade só pensa em partir;

Ser o choro de uma criança,
Desfilar a vida em avenidas
Sem procurar ao fim;

Recusar o passo ao penhasco,
Dessa vez - teimar em ser feliz

Por favor, entenda:
As coisas são tão normais
Onde a gente se atrapalha;

Pouco é enorme sorte
Ter suave o gosto amargo
Onde a gente se abandona;


quinta-feira, 5 de novembro de 2009



Roda-Viva

É muito tarde,
Me contava você:
Era um leve cochilo
E sonhei estar de volta;

Mas olha agora
Pra o que você vê:
Erros em baixo-relevo
No poder que se abusa;

E hei de soletrar
Se acaso esqueceu:
Tão adverso é o brilho
Tido certo que se impõe;

E venha de encontro
O inverso que equilibra
A vida que logras ser boa;

Mas quem retomará?
Tão terreno é o perdão
E toda entrega e mutação;

Já não há o temor servil
No amor que nos quer um;

Ei, colore o que você tem,
Frente faça aos imprevistos
Que um dia nós saberemos:

Aqui nesta Torre de Babel
Pessoas sempre são pessoas
Só o que muda é um coração;

sábado, 31 de outubro de 2009


Julie Et Joe

E sem querer,
O mesmo mundo;
Também pudera:
Anjos perdem rumos;

É como vai,
Talvez meio sorriso;
Frágeis corações:
Quase cacos de vidro;

Mas ela dança,
E quase ninguém vê;
Mas é para você:
É pela tua constelação;

E à tua escolha feita
Feito festeje então:
És agora - depois memórias

E quando for partida
Ou mesmo só cansaço:
Deixa cair o fardo - das mãos

Seja único o cuidado
De voltar sem menos - esperar

E não parar,
Aonde nada é assim?
Corre tempo sobre nós:
Pássaro livre sem voar;

O que é isso,
Quanto o perto é aqui?
Muito além do horizonte:
Pescador longe do mar;

sábado, 17 de outubro de 2009


Nós Que Aqui Estamos...

Faço de meu tédio
Um lugar,
E em cinco minutos
Fica sempre igual;

Presos nesta carne
Por julgar,
Pela frente as tolices
Que não conquistei;

De um simples erro
No plural,
Eu destilei estragos maus
Pra você considerar;

E acossado,
Depurei maiores vícios
Pra você se anunciar;

Mostra o teu rosto:
Teu jeito de amar as coisas;

Que não há indiferença:
São só nossas bruscas razões;

E de tanto amor se fez:
Uma vida foi vivida,
É verdade não contrária;

É tão denso esse senão:
Quer a vida admitida,
Tão solene ou tão perdida;

domingo, 11 de outubro de 2009


Wake Up
(Annelise)

Pra quê fingir
Eu não sou assim:
Aonde quis chegar
E quem falou demais?

Foi só o jeito
E deixa acontecer:
Adeus pra não lidar
Chutando latas de lixo;

Depois do sol
O dia trará a noite:
E de uma só estrela
Aprenderás em segredo;

Que ser trairá a morte:
E que se não temê-lo
Suspenderá uma lágrima;

Às vezes é só desencanto,
É a chance que não vemos;

Ou então nenhuma valentia:
A porta aberta que não passas;

E quase de repente
Já passou num segundo:
E de novo se alegrará
A música do meu realejo;

Mas não fique assim
"Que venham me salvar"
Se for não voltar atrás
Vem ficar perto de mim;

sexta-feira, 2 de outubro de 2009


Oz

Sabes que já,
O vento levou:
Fomos para longe
Sem poder reclamar;

E todos aqui
De tudo por ti:
Que vejas natural
Algo mais complexo:

Pode ser "olá"
Ou sonho será:
Ainda sobra disso
Um remanso em nós;

Quando "me perdoe"
Quando "não esqueça"
É sempre o mais correto:

Quero ser esperto
E quero mil coragens;

Eu quero um coração
E o meu reino - de volta

É nada intencional,
Apenas falta a destreza:
Pra onde leva a estrada?

E como descobrir?
Apenas olhe pros lados:
Você jamais saiu daqui;

sábado, 26 de setembro de 2009


1987

E se teu presente
É um museu de cera,
E resto e estreito não:
Se purifique;

Se o dano causado
For melhor que mentir,
É apelo e sincero pesar:
Que te oriente;

E a vida que arrastas
For o ocaso de um nada,
Teu ópio e singelo furor:
Que te alimente;

E que o gasto se resuma,
Meu corpo sele teu corpo:
Seja isso - consideração;

Que teu seja meu o assombro:
Oh! não - por onde começar?

Que meu seja teu em silêncio:
Sempre - crescer e não querer

E se a tua solução
É um basta nas teorias,
E ruído e intuição pura:
Se concretize;

Se uma foto amarela
For melhor que o sumir,
É álibi e iluminado ardil:
Que se reanime;

terça-feira, 22 de setembro de 2009


Nômades

E feito você:
Esqueci de ajudar;
Ruas vazias e a gente
Em lento ritmo se desfaz;

Olha pro céu:
É o fim do verão;
E mais um grave ato
No grego teatro de Deus;

Reze por nós:
Alguém à espreita;
Liberdade - guerra fria
O que acontece desta vez?

Quem vai, quem volta?
- Não são novidades -
É só uma falta de costume;

Pode ser que até nos parem:
Aonde é que estamos? - agora

E quando você quis sair
De teus sapatos não vi barulho
Porque meu sono era tão pesado;

Mas sinto que você saiba:
Se o vento move as lisas dunas
Um deserto fica no mesmo lugar;


quinta-feira, 17 de setembro de 2009


Ariadne

O que temer?
Talvez tua imagem:
E por todos os lados
Um quê de livre-arbítrio;

O que é isso?
Parece tua história:
E de tudo que existe
Um quê de sonho audaz;

E depois disso?
Vai ver - tuas vitórias

Bem que te foi amigo
Na mão que tira a mágoa;

Vai ver - necessidade
Quem foi que te soltou
Do fio que conduz a vida?

Corações são labirintos
Mas garotos não percebem:

Morrer é só até amanhã
E viver é só por alguns dias;

Estivemos bem perto
De sábia velha esperança:
Há vencedores e os vencidos;

Por pouco não chegou
E havia qualquer promessa:
De voltar ao início da partida;

terça-feira, 15 de setembro de 2009


O Estrangeiro

O que vai mudar
O estado das coisas?

Ela teve um rosto,
Tão linda pálida cor;

Eu fui até capaz,
E o que amanheceu:
A mim tudo igual
A lei dos homens sãos;

Eu fui até o fim,
Acho que foi ontem:
Eu tinha um nome
E já nem lembro mais;

E não me importei
- E quem se importa -
Não vai se comportar;

Mas dessa vez - sei lá
Pior então:
É ter ninguém;

E logo você - vem cá
Vou insistir:
Me deixa entrar;

Não é defeito,
Paixões são contrastes:
O mais fácil é abandono;

Nem é desastre,
Destinos nos carregam:
O mais difícil é renunciar;

quarta-feira, 9 de setembro de 2009


Ela Chora

Se tão mais terás
Por confiança vem
Será - penso que sei
Mais ameno teu tentar;

E que não vingue
O subitamente vão
Veja - o circo chegou
Há novas atrações aqui;

E da tua morada
Eu preciso retornar
Creia - não te entendo
Mas acreditarei em você;

Se você quis ir além,
Quem ficou pelo caminho
Assiste a tudo e é “tudo bem”

Vai buscar o que é contigo,
Se tão extensa foi tua solidão;

Aqui estou...Aqui estamos:
Absoluta razão que não sentirei
Quando a força do tempo é maior;

É o dom que a alma cura:
Amigos invisíveis que aguardam
Pacientes como Chaplin no final;

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Nascente

Outra vez
E onde estamos:
Conto ao contrário
Dias, meses e anos a fio;

Estava ali
Mas ninguém viu:
Vida nobre imensa,
A decência a nossos pés;

Eu te amo
E mais não posso:
Tanto ainda somos
Da procura nunca o mal;

E dos escombros
Aflora como plantas
A essência do ser incompleto;

E quem te convidará
Pra de novo ter algum futuro?

Tão exatos e tão incautos:
Tardios amores não são raros
Como as falas de cinema mudo;

Sei em mim
A paz que procurei:
E pra você a mesma luz
Longe de simples certeza;

Direi “é sim”
E soe bem a palavra:
Ou dure ainda que seja
Tatuada com giz de cera;

sexta-feira, 14 de agosto de 2009


À Menina Que Vendia Sonhos...

Pense...Se há:
É o amor acostumado
- Poucos o sabem -
Não ver horror e ilusão;

Deixa...Vem lá:
Qual um filho pródigo
- Algo tão entregue -
Nos traz remos e canoa;

Não se esconda:
Com teu franco pranto
- Coisa muito séria -
Te faço represa e lagoa;

E você me levaria a sério?
Quem é que vai te segurar?

Quando tudo o mais falhar
Como é que a gente vai ficar?

Eu sei,
Pra mim não há saída:
Eu beberei a dose de tua mão;

Eu viveria
Bem mais que o fim do dia
Ao lado do teu selvagem coração;

sábado, 1 de agosto de 2009


La Dolce Vita

E assim sem fim
O que faz você aqui
Que já não era tido antes
Como o que é preciso ser?

Ficou para depois
E o depois aqui sorri
A quem for o seu direito
Romper as regras do viver;

É tão tarde da noite,
E você não pôde pular
Mas jogou umas moedas
Dentro da fonte dos desejos;

Então deixe que te siga
E as horas que nos restam
Que nos prenda e nos perca;

Todo pouco é tal riqueza
Por favor: não se entristeça;

E se acaso eu estiver certo
Por favor: não me engrandeça;

Eu vi você partir
- Acho que vou consertar -
E pintar em tela águas-vivas
De toda esta natureza morta;

E se aqui estamos
- Debaixo desta tormenta -
Olhe relâmpagos e trovões
Como detalhe o mais bonito;