É talvez por onde andei, O nobre gesto desavisado: Da insensatez e embriaguez À nostalgia a vencer a realidade;
Era o rito e fora passagem, Tinha um quê de seriedade: A defender loucura e a razão De qualquer coisa que nos valha;
Te fiz de palha uma cabana, Não trouxe sangue na espada: E era tudo o que eu acreditava E eu acho até que você percebeu;
Eu fui a dor no teu ventre são, Também guerra e paz que virão: O cavaleiro andante que se atrasa;
Sou prisioneiro do teu tempo, Também é parte deste inexato jogo: Quem sabe seu lugar em volta do fogo?
E todo coração sabe de coisas, Mesmo ainda aquelas a que não viu;
Então não quero ser desonesto: Sou alheio ao que de resto assisto E até encontro pessoas de verdade;
Eu quebro a parte que me toca: Metade é o tanto que te empresto Porque vez quando eu firo o medo;
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
V: Pequeno Mapa Do Tempo
Eu guardei pistas por aí, Figuras pintadas em pedra, Poesias em espaço imaterial: Um futuro para ti reconhecer;
E por ora já perto daqui, Se dentro do vaso na janela, Do meu casaco preto e gasto: De novo meu novo aniversário;
Com os pés rentes ao chão, De mãos dadas e mãos limpas, Olho no olho seu olhar infantil: Vi eu e você a procurar por mim;
Sem retoques a tua cor e o clarão: Então admirável novo mundo se fez À tua condição;
E recolhi meu jeito já seco do varal: Abri meu peito à força do teu vendaval; E a toda norma e forma - desobedecer E em cada face e a cada fase - sobreviver
Há um gatilho por disparar: E se passa a passo o presente É à tua constância que me atrelo E me atrevo a envelhecer em paz;
É o que trago e o que tenho: Mas que isso leve até me pese Levo como saudade não vulgar A não vogal que inicia o teu nome;
sábado, 5 de novembro de 2011
Todos Os Amanhãs... E em não pedir licença Passam em nós essa gente: Que só conhece seu quintal E já não divide com ninguém;
Quem acorda primeiro Alinha o rumo e a viagem: Porque há vida e há espinhos Também há vidas e sentidos;
E muitas vezes você disse: Vê - logo teremos muita luz E de todas as vezes que morri Queria ter perdido as memórias;
Mas foi embora de uma vez A força e o timbre da tua voz: Aqui ainda há o que surpreenda;
A mesma gente que se agita - me esclarece por favor - O que envenenou a tua opinião;
E eu que cobicei tamanha sorte - ainda nada sei - A cada passo todo perto é tão longe;
Pra que fazer de conta que passou Se é vivo e é verdade nosso embaraço E quem só tem verniz e não tem coração?
E será que temos tanto tempo assim Onde a chuva rala contorna o teu corpo E a mesma chuva esconde a minha sombra?
sábado, 15 de outubro de 2011
Chuva Na Vidraça
Porque tudo se espera É se ter alguma proteção E em cada esmola e vitória Vem sempre o mesmo crime;
E assim pesou espesso O ar com cheiro de solidão E quem nos faria tudo enfim Já não achou mais o que fazer;
Temos estas lembranças E as lembranças não nos tem Mas talvez só tenhamos errado A nossa própria lei e a sentença;
Hoje a maré subiu bem mais tarde - ondas serenas quebram ao longe - Hoje sei preciso onde é o meu lugar;
E que mais nada seja igual - não ter pra onde ir - Levanta o véu da tua tristeza;
Se fomos loucos e fomos santos - ainda somos brandos - Só por ver graça em amar de novo;
Há um quê de tão contínuo A construir um bom conselho: Esquece - foi há muito tempo atrás
Que você pense tão impossível Pois então te dou o que era meu: Descansa - põe teus pés sobre o sofá
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Atrás Dos Olhos
Tanto perto o tremor Que a tarde escureceu: Pra subir até o teu quarto Precisei agarrar o corrimão;
É atento teu entender Como vai desaproximar: De tempestade e terra seca Duram o que há para durar;
E se num dia qualquer Chegasse então o futuro: É ver o erro em perspectiva Ter que desfazer os porquês;
Sei - não faz sentido algum Mas - e se eu te dissesse como Bem - por onde você começaria?
E tantas vezes fiz você dormir E meu coração ao lado acordado;
E se tivera tido tédio ou temor - e de bom grado me servia – Eu me afoguei em tua correnteza;
E se assim nada mais existir Resta o pedido “nunca esquecer” Deixa o vento abrir o teu ouvido;
Então me faça forte outra vez Me mata essa fome “tão distorcida” Apaga o rastro pra eu não te seguir;
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Lorraine
E agora só entorno Do beijo e o abraço: Ao que te acostumava Já não tens o paradeiro;
Eu que já me perdi Sei o que você sente: Parece que tudo já viu Do que tinha pra se ver;
Era o peso do querer Que veio como ladrão: O que agora te consome É uma estrada que passei;
É a ferocidade dos dias, A voracidade do coração: Já outra semana terminou;
E que talvez importe: - Que fim levaram - As dores, flores e histórias;
Não me mudo de mim: - E mais uma vez - E só por hoje eu te traduzi;
E ao sair de casa à calçada Você olha pra todos os lados: Sinto muito não ser da tua rua;
Mas pra chamar tua atenção De tanta pressa em ir embora: Era minha a pedra na tua janela;
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Pele
Eis nosso esse esboço
A gosto e exposto certo:
Vou chegar em casa tarde
Ou você vai chegar na frente;
E num dia nada quente
Andando no meio da rua:
Abalroada minha pretensão
De ser alguém pra te conduzir;
Minha voz à rouquidão
E havia fogo no teu olhar:
E o que não decidi por mim
Decido foi por si sem o cortejar;
Quase tão difícil é discernir:
Sempre faço carbono do tempo
Depois de tantos afetos perdidos;
Às vezes...
Sorrisos findos não se apagam:
Ah! Não fui eu quem quis assim;
E no entanto na TV se expressa
A nostalgia de uma vida renegada,
Uma vida envolvida em si mesma;
É a ética das emoções
E de resto não observada:
É porque eu sinto todo o efeito
Feito o peito oprimido de alegria;
E se carinho ou se açoite
Ao menos isso tem sentido:
Quando tudo parece estar em paz
Se aproximam os últimos carnavais;
quinta-feira, 14 de julho de 2011
40
É do que se quer E o que vier no fim: Se alívio ou esperança, Se destinos ou destroços;
De quem vai ficar A quem pode sumir: O eu te amo pra sempre, Um ligeiro aperto de mão;
E pra te ver passar Estendi o meu tapete: De folhas secas de outono, De amarelo e cinza colorido;
E me assustei: Dissolvi o mundo Bem à minha maneira;
E até pode ser que o errado Possa mesmo ter funcionado;
E agora - o que importa Ou quem sabe até me vença Este tempo amigo tão paralisado;
Espero - e que você sorrisse Não preciso mais me despedir Como uma poça d’água sob o sol;
sábado, 25 de junho de 2011
Genebra
Do que se leva por suave Volta uma justa proporção: O que você não devia deixar, O que eu não deveria guardar;
Mas vidas são passageiras E haverá sempre um motivo: Talvez teu nome bem grifado, Ou um recado escrito rasurado;
Se não nos foi indiferente Não há mesmo como evitar: Eu penso no que está por vir, Me esqueço que você não veio;
Parece que não há mais lugar: Eu me dou conta de quem sou, Eu acho até que me feri sozinho;
Mas - acorda - é a saga e a sina O que nos ensina essa desordem?
Um alguém - um espelho humano Quem nos pode ter para nos perder?
E se você chegasse a tempo Por um segundo eu ficaria feliz: Mas este é só o fim de uma espera Antes que uma outra então comece;
Eu te reconheço feito inverno Pois viemos de dias tão remotos: E aqui entre o mar e o oitavo andar Crescem anjos de pedra pelo jardim;
domingo, 12 de junho de 2011
O Que Você Vai Ser Quando Você Crescer...
Um coração - arrancado aos pedaços - A permissão antes da ilusão? Algo que se negará três vezes?
A casa cheia - uma imperfeita simetria - Por que tudo está tão quieto? Onde te levaram tais palavras?
Amanheceu - e agora essa luz tão clara - Você escutou o despertador? O que é que há de mal nisso?
Todos os dias são...
Tão pequenos improvisos: E pro teu mais profundo eu Uma coleção de coincidências;
E sempre alguém procura por ti Eu também vi - as coisas vão além
E viramos dois - ombro no ombro O amor em um brusco movimento;
Bem eu sei o que acontece Quando se espia senhor estrago: E talvez não corramos mais perigo;
Mas será que você pode acudir Ao que irá se fazer nossa morada: A vida é o melhor lugar pra se viver;
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Song For Suzanne
Ah!...Se eu soubesse Quanto custa entender: Que se pode mesmo rir Tanto quanto se adoecer;
E o tempo se retrairá Ao nosso melhor plano: Do que se quer acreditar Ter paisagem ou fronteira;
E não cegar tua visão É tirar melhor proveito: Até aqui e do que fomos Foi onde deu para chegar;
É o que de nós constará: É a velha ótica da história E uma canção desesperada;
Em folhas soltas de caderno - Que deixei - Eu construí um barco de papel
E do que lembrei - O mais fiel aos teus traços -
E se há culpa ou se há tormento É porque não cremos nisso antes: Agora lá fora o mesmo sol levanta;
Ainda há um por que de se voltar E te participo não estarmos prontos: Disparo e paro ao meio do caminho;
quarta-feira, 2 de março de 2011
Tribunal Das Ruas
Agora sou tua contramão,
Pessoas a esmo pela cidade:
Não posso ler o que pensam
De todas as nossas incertezas;
Meu suor e pés descalços,
Corro aos riscos que herdei:
Parece que há um surdo eco
De você a rasgar meu ouvido;
É o que há dentro de mim,
A realidade é uma filha nua:
De tudo que é fúria e desejos
Não vingará farsa ou disfarce;
E a felicidade não é bondade:
Logo - posso esperar seja você
Quem primeiro vai se reerguer;
Vem um toque de descontrole
Por causa da nossa impaciência;
Há um fim de tarde amarelado
Pelas alamedas do meu coração;
Acreditamos em céu e inferno
E que talvez nada irá acontecer:
É por isso que nos doma a vontade;
Mas ficará impresso na tua pele
O rastro esguio de que fomos dois:
Eu insisto que não minto sobre isso;
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Kilimanjaro
É sempre uma surpresa E de você assim se atreve: O abraço forte que protege, Branca neve à primeira vista;
Era o caminho e a visão Que tampouco havia tido: O erro em graça convertido, Uma noite em claro redigida;
E pra falar o que eu senti Fiz roubo as tuas invenções: Um alfabeto de letras a mais, A lembrança que seja indolor;
O teu amor chegou - eu ri Com os sapatos tão polidos: Colando minha alma na vida, Tão equilibrado e por um triz;
Aqui é topo de nosso mundo Aqui - veja - ninguém à procura
É até onde resista nosso fôlego Então - me explique como estou
Vamos sumir antes que o fim: Carreguemos este sol diferente Meio estampado em face a face;
Mas eu acho que não pode ser: Algumas coisas são mais bonitas Não tocadas ou deixadas pra trás;
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
A Cura
Tão longe e tão perto, Eis aqui o teu endereço: Apaga a luz do teu quarto Só pra ter o mais e o mesmo;
A beleza crua do nascer, O que de ti furta um olhar: Uma praia de areias brancas E uma lágrima que cristalizou;
Tive medo e posso andar, Sei lá do que os outros são: Eu sou o mesmo sem querer E a qualquer distância de você;
A carvão risquei rascunhos E fiz em teu retrato no cartaz A ilusão que quis equivocar-se;
E o tanto mais alto que se foi Antes de a gravidade nos puxar;
Escuta - já que tudo vi passar Também isso tudo passa - depois
Todos têm seus segredos e sinas: Mas é que tem essa saudade insone Que força nossa engrenagem girar;
E bem me quis você pra entender: Mas se o chão vier se abrir desculpe Se por um acaso eu fechar os olhos;
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Paris, 1944
Ah! A quem acreditar É outro Agosto reposto: Beber de novo água pura Que o dano real já passou;
A tarde cinza anunciou Uma nova voz para guiar: Quando o amor é um temor A quem entrega a sua alma;
É tão humano ao partir Não querer se machucar: E vai liberta nesta multidão Que faz nossa cabeça rodar;
A alguns corações a salvo E lá se vão nossos instintos E mil voltas a um recomeço;
Deixa...pra lá Só me estenda a mão: Mais uma guerra acabou;
E o agora... São boas e más memórias Que o futuro tem;
Eu já disse a Deus - perdão Mas eu sinto pelo que se viu: O mundo um grande tumulto;
E você disse - ficaremos bem Mas eu acho que saí andando: Fui lutar longe de mim mesmo;
sábado, 22 de janeiro de 2011
A Casa Abandonada
Não há mais ninguém Tão igual ao teu protesto: E pessoas de contos de fada Vão fazer de conta que o são;
Quantos anjos já caíram A traficar sãos sentimentos: Este meu coração sob chamas É meu exílio e meu purgatório;
E no peito outra frequência Mas e o que temos dessa vez? Vai ver é a dor que se escondeu Ao ver tinta nova nestas paredes;
Vai ver...
A calmaria atingiu o temporal A dublar minhas roucas palavras Ou o beijo que dera à morte vida;
E no teu apartamento - comunhão Não prestei atenção - mal li o roteiro
Acontecimentos, alegrias - insolação Cada dia e sua razão - hoje sei por quê
A semana toda ficou para trás Como uma prece não decorada E destoa à toa a minha obsessão;
Pensei em você o tempo inteiro Como uma linha reta não traçada Que navega cega em minha solidão;
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Cinco Pessoas Que Você Encontra No Céu
Este trabalho te alimente, Este lugar que te pertença: E de tanta coisa que agrade Teus olhos mudarão de cor;
De quem te pegou a mão, Mas quem dançava ao lado: Se vento lento ou brisa forte Nada mais que peregrinação;
É feito a arte que nos toca Quem parte sem ir embora: E de andanças a nossa trupe É um já selado compromisso;
É entrar em cena sem ensaio: O mais querer nascer de novo E viver tudo o que vem depois;
E você fez o seu melhor - então? Perceba que não tem como saber;
E transformar o rumo das histórias É fruto que se colhe fora de estação;
E você acorda cedo todo dia: Quantos verões já passaram aqui E a gente nem ao menos os notou;
Às vezes parece só imaginação: Às vezes outro alguém que mostre O que faz de mim ser quem eu sou;
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Dos Acasos
E quando vi escorriam As manhãs de Domingo: Sobre mim a velha chuva E te esperei ao meu portão;
Em não ouvir teu passo Retardei a menor tristeza: E foi tão difícil pra manter Meu equilíbrio em tentação;
Se aprendi a ter certeza É a maldade que retira-se: Assim se faz pra convencer Tornar pacífico tolo coração;
Não - não precise as horas Que teu sorriso subitamente Me venha pela porta da frente;
E já no primeiro ato seja exato Pra limpar o limo do meu olhar;
Nem bem gracejo nem espanto: E de nossas coisas - com que lutar?
Bom dia, boa tarde - até mais Suponho que vamos conseguir, Chegue o mais perto que puder;
Teu silêncio em mim - estrondo Discorro sobre essa quase agonia, Um novo enredo que traga alegria;
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Coisas Que Parecem Simples
Parece fácil se perder O que já era conhecido: É ter sossego e prontidão E quase a fé do ser criança;
E não há pontualidade Ao que fizemos de bem: E por assim dizer eu rezo Pro tempo ficar a meu lado;
Quem sabe te ver aqui Ou nas ruas de Bangkok: E num momento qualquer Quem sabe parar de morrer;
Bailam segredos no futuro, Existe algo que me faz levitar: É minha biblioteca de memórias;
Sempre falo de você - o que será Hoje sobre o que são os teus dias?
E do que sinto me alcança o sereno Tão longe - que já não mais enxergas?
Não adianta um “esquece” Já nem mesmo fujo de mim: Repare bem que toda insensatez É por muito pouco ou quase nada;
Segue adiante sem “prometo” Há mil maneiras e há sonhares: Talvez nem sejamos nau à deriva Ou nosso trem parta na hora exata;
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Passageiros
E foi sem querer Toda essa necessidade: O que se toma por penhor, Como se fosse o prato do dia;
É fortaleza invisível Toda nobre curiosidade: O que poderia nos afeiçoar, Como os girassóis de Van Gogh;
Tão pequenas coisas E não vou me desculpar: Das pessoas e dos caminhos, Tudo o que invadi de suas vidas;
De todos meus amigos, E todos os amores e amantes A quem dediquei-me para amar;
E então agora é você Mas não se culpe que me prenda - Nem me acuse -
Na mão esquerda jaz o presente: Um colapso de desejos entre nós;
É pular da borda do planeta: Milhões de vultos que respiram, É o ter sentido e pressentimento;
É a via crucis do que nos faz falta, É o nunca mais uma outra vez mais;
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
17 / 10 / 2010
Preciso de paz...
domingo, 12 de setembro de 2010
Adam & Eve
E tanto faz se paraíso Ou o subúrbio da alma: A felicidade mora ao lado De muros e grades de papel;
Nada mais te machuca E quem toma conta de ti: Este sol que bate em cheio Pra iluminar todos à tua volta;
Você vai querer lembrar De que filme é este replay: Há um pássaro em voo livre Pro teu céu de estrelas fugidias;
É a minha cota de coragem: Tenho meu coração abalroado De pretensos pecados perfilados;
Mas o que quer que nos digam Vê que tudo passa dessa maneira:
Hoje cedo começou uma outra vida, Reverso em rima e verso de todo mal;
Olho para trás e não é castigo: Certas coisas apenas se desviam, E o que era escuro virá tão nítido;
Dobra o tempo nossa história: Por quantas vezes sempre juntos, Tantas vezes sempre a nos buscar;
domingo, 5 de setembro de 2010
Charlotte
Nem letra nem música, E no entanto querias cantar: Mas quem desarma o teu eu? Quem usa teu mundo peculiar?
E se traz o mesmo sempre, Vês o perigo no que é novo: E iguais tentações nos atraem, Verdades e mentiras nos trairão;
Vivendo e não pretendendo, Forte é o que de nós fizermos: Em cartas, bilhetes, entrelinhas, Também no que não está escrito;
E passo a passo eu tropeço Me despeço de você - até mais Afoito - este desejo nos recolherá;
O de antes adiante se reconhecerá, Invente uma semana de dias a mais:
Pra matar a nossa sede - coisa doída Só o que há de ser - vem - ou já chegou
Eu não sei como te explicar, Quando tudo se dá em segundos: É a paz sem vencidos e vencedores;
Já não é o preço que se paga, É o que devemos pra nós mesmos: Todo esse pensamento e sentimento;
sábado, 14 de agosto de 2010
Do Espírito
Pessoas lado a lado, Querem o que somos: Tão avessos ao que temos E pouco importa a intenção;
É preciso crer valor, Somos irmãos e irmãs: Pra quem só é a si próprio O amar é a parte mais difícil;
E à gravidade assumida Sempre há uma escolha: Se não há lugar neste pódio Então até o próximo instante;
Escuta - a dor já vai longe Certos dias a tempestade traz Água limpa sobre os telhados;
Já fomos frases, lei e orações: Tanto se aprende a ficar sozinho;
Aqui e agora é um voltar atrás: São todas nossas vidas pra depois;
Há tantas folhas pelo chão: Sob nossos pés onde pisarmos Deixe o que seja certo e errado;
Ou talvez até não fique nada: Mas tudo aquilo que nos iguala É além do que todos podem ver;
domingo, 1 de agosto de 2010
Ao Silêncio Em Teu Sorriso...
E do quanto se sentir Disso o mais não tem: As ruas lotadas de gente, Um vai e vem desatinado;
Havia uma promessa Entre os outros e você: Mas ninguém a entender Dos teus medos e crenças;
Também errei o rumo E assim vim a descobrir: Os teus moinhos-de-vento, A tua janela mal iluminada;
Eu quisera ter feito à mão O desenho da tua camiseta, Estar em volta do teu corpo;
E o futuro a quem pertence? Venha respeito e cordialidade;
Sei que temos a nós mesmos, Mais um pouco e estaremos lá;
Se tive muitos planos Eu não sou mais assim: Olhe bem na minha cara Toda essa realidade falha;
Só não posso esquecer Do que eu faria por você: As coisas mais simples aqui Vão nos considerar possíveis;